Fundado em 20 de Outubro de 2008, na cidade de Vila Velha-ES, somos um grupo de amigos/protetores dos animais, que os amam de forma incondicional e, nos preocupamos com a preservação de suas vidas.


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Não possuímos abrigo, nem fazemos resgates, apenas apoiamos e divulgamos protetores independetes e entidades voltadas para essa questão.



domingo, 28 de dezembro de 2008

Instituições protetoras criam a Rede Catarinense de Soliedariedade aos Animais

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Instituições protetoras se unem para diminuir o sofrimento de humanos e de animais na tragédia de SC (11/12/2008)

Os números da tragédia ocorrida em Santa Catarina impressionam. Mais de cem vidas humanas ceifadas. Estimam-se em 79 mil as pessoas desabrigadas. Dos 293 municípios catarinenses, em torno de 50 foram atingidos. Só em Blumenau, caíram 300 bilhões de litros de água em cinco dias. As imagens marcaram para sempre o calendário do ano que se vai. Os números da tragédia variam a cada momento e a chuva não dá trégua. Em meio às imagens da catástrofe, algumas delas passam despercebidas ou são minimizadas na conta das prioridades de atendimento e atenção da opinião pública. Trata-se da situação dos animais abandonados em locais de risco e outros tantos mortos nas cheias. Este cenário levou o Instituto Ambiental Ecosul, em parceria com a Sociedade Mundial de Proteção Animal (World Society for the Protection of Animals – WSPA) e o blog “Mãe de cachorro” a criar a RESA - Rede Catarinense de Solidariedade aos Animais. Entre outras adesões e apoios, a RESA conta com a Sociedade Latino Americana de Urgências e Cuidados Intensivos Veterinários – Laveccs e a Academia Brasileira de Medicina Veterinária.

Um levantamento da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do Estado (Cidasc) indica que mais de 1,5 mil animais de grande porte mortos nas enchentes foram enterrados. A região de Itajaí registrou o maior número – 1,3 mil bovinos, 200 ovinos e sete eqüinos. A recomendação dos especialistas é para que os animais de pequeno porte – gatos, cachorros, roedores e aves - mortos em áreas urbanas, sejam colocados em sacos plásticos e encaminhados aos aterros sanitários.

De acordo com a Associação Itajaiense de Proteção aos Animais – AIPRA - estima-se entre setecentos e mil cães mortos. “Muitos foram abandonados ou esquecidos pelos donos. Alguns não puderam ser retirados das casas”, diz o presidente da associação Roberto Antônio Pereira.

Ação

O Instituto Ambiental Ecosul reuniu-se com diversas ONGs, representantes da Defesa Civil e autoridades veterinárias e sanitárias e está percorrendo áreas atingidas, para visitar abrigos e outros locais de manutenção de animais, assim como contribuindo no resgate de outros em áreas de risco. A instituição está coordenando a rede solidária no recebimento e distribuição das contribuições enviada por pessoas e outras instituições de proteção animal do país.

A WSPA está contribuindo com recursos financeiros, enviados ao Instituto Ecosul, além do apoio técnico em campo da médica veterinária e Gerente de Programas Veterinários da WSPA Brasil, Drª Mônica Almeida. A gerente também deverá reunir-se com representantes da Anclivepa e do Conselho Regional de Medicina Veterinária para tratar de atividades de vacinação e outras ações emergenciais.

Halem Guerra Nery, coordenador do Ecosul, está à frente dos trabalhos da RESA, coordenando a logística das doações para que todos os recursos financeiros e materiais cheguem ao seu destino e minimizem o sofrimento dos animais. Segundo ele, a instituição deverá publicar um balanço das doações recebidas, assim como a destinação das mesmas. Nery integra um grupo que está percorrendo diversas regiões, incluindo a localidade denominada “Morro do Baú”, em ilhota. O grupo conta com o apoio do Corpo de Bombeiros para chegar ao Baú. O coordenador explica que o acesso é difícil, por uma trilha, e é feito numa viagem de 40 minutos de trator e duas horas de caminhada. “O objetivo é verificar o estado dos animais nessa região, dar assistência e suprir as necessidades básicas. A estimativa é que 40 cães, centenas de aves, porcos e outros animais estejam aguardando resgate ou retorno dos moradores” explica. As cidades de Itajaí, Blumenau, Florianópolis, Navegantes, Joinville e Jaraguá do Sul estão entre as localidades visitadas pela RESA.

Em seu relato sobre a situação encontrada nos locais visitados, Halem disse que muitos canis foram atingidos pelas enchentes. “A situação é alarmante em todos os locais, sendo que em Florianópolis não há tantos problemas quanto nas demais”, afirma. Segundo ele, a Fundação Universidade Regional de Blumenau - FURB montou uma estratégia para dar os primeiros socorros aos animais e conta com o apoio de veterinários e estudantes voluntários. O coordenador explica que a estimativa é de que 25 a 27 mil cães e gatos precisam de socorro nas cidades atingidas.

Bárbara Alebrecht, da Associação Protetora de Animais de Blumenau, afirmou que a ajuda que chega de outras instituições e pessoas é grande. “Temos recebido tanto em espécie como em ração e medicamentos, além de palavras de conforto e solidariedade de todos”, diz ela.

Reflexão

Em carta divulgada no início de dezembro, 18 professores de universidades catarinenses e centros de pesquisa alertam para necessidade de se fazer uma reflexão sobre a tragédia em Santa Catarina. “Por que tudo aconteceu de forma tão diferente e tão trágica? Será que a culpa foi só da chuva, como citam as manchetes? Nossa intenção não é apontar culpados, mas mencionar alguns fatos para reflexão, para tentar encaminhar soluções mais sábias e duradouras, e evitar mais e maiores problemas futuros”, dizem eles. No documento, os especialistas reconhecem que no médio vale do Itajaí ocorreu mais que o dobro da quantidade de chuva que causou a enchente em 1984. Segundo eles, “de todos os desastres naturais, as enchentes são os mais previsíveis, e por isso mais fáceis de lidar. Os deslizamentos e as enxurradas não. Esses são praticamente imprevisíveis, e é aí que reside o real problema dessa catástrofe. A construção de habitações e estradas sem respeitar a distância de segurança dos cursos d’água acaba se voltando contra essas construções como um bumerangue”, afirmam.

No texto, os professores enfatizam como se dá a dinâmica natural dos solos e regime climático e defendem que as alterações desse arranjo, feitas pela ação humana, foram as principais causas dos movimentos de massa que ocorreram em toda a região. “Portanto, precisamos evoluir muito na forma de gestão urbana e rural e encontrar mecanismos e instrumentos que permitam a convivência entre cidade, agricultura, rios e encostas. Por isso tudo, essa catástrofe é um apelo à inteligência e à sabedoria dos novos ou reeleitos gestores municipais e ao governo estadual, que têm o desafio de conduzir seus municípios e toda Santa Catarina a uma crescente robustez aos fenômenos climáticos adversos", concluem.

A tragédia ocorrida em Santa Catarina ocorreu na semana em que a Assembléia Legislativa concluiu as audiências públicas sobre o Código Ambiental. Uma lei que, segundo os especialistas, é resultado da pressão de alguns setores para que sejam reduzidas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo dos rios, entre outras mudanças que vão impactar o equilíbrio ambiental com conseqüências desastrosas para todas as formas de vida.

FONTE: OLA (O Observador da Legislação Animal)

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