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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Tu és o que lês















(Publicado em 02/11/2008, por
Marco Santos)

Em 08/12/2008 postamos que o artísta plástico Guillermo H. Vargas teria cometido uma das maiores atrocidades feitas a vida animal, do cachorrinho acima. Que ele teria o exposto na Bienal como podem ver na foto, amarrado a uma corda e que ali ele teria ficado, com fome e sede, até o término de sua exposição.

Mas vejam o que de fato aconteceu...

Guillermo Habacuc Vargas. Escrevam este nome no Google e obterão 143 mil resultados. ‘Animal’ é o que de mais gentil se poderá encontrar em termos de referências ao rapaz, mas ‘filho da puta’, escrito já em várias línguas, começa a ser a expressão mais habitual.
Um filho da puta tão óbvio? Fiquei curioso e googlei a história.
Habacuc não é um demónio, é um artista plástico conhecido pelas suas posições políticas arrojadas e, por causa destas, muito conceituado no seu país, a Costa Rica. Entre 16 e 19 de Agosto, numa mostra realizada na Galeria Códice, em Manágua, capital da Nicarágua, Habacuc exibiu uma instalação – Exposición N° 1 – que viria a causar uma tremenda comoção justiceira entre os amigos dos animais de todo o mundo.
À entrada da exposição havia uma frase na parede («Eres lo que lees») escrita com biscoitos para cães. Junto à mesma parede, a um canto, preso por uma corda e um fio de arame, Habacuc colocara um cão vadio apanhado em Manágua. O cão apresentava sinais de mal nutrição e doença – um pobre animal entre milhares de outros que deambulam nas ruas da cidade. Os visitantes contemplavam toda esta cena enquanto ouviam o hino sandinista tocado ao contrário. Aos que abordavam o artista pedindo que soltasse o animal ou pelo menos lhe desse de comer, Habacuc recusava sempre. (Que barbaridade tão evidente! Está-se mesmo a ver que o verdadeiro objecto da exposição não era o cão, mas os próprios visitantes - chegar a essa conclusão, contudo, implica pensar antes de postar, por isso a maior parte dos bloggers manteve a sua indignação primária).
Pouco tempo depois, a 4 de Outubro, um artigo publicado no jornal Nacion noticiava que a exposição de Guillermo Habacuc Vargas se encontrara envolta em ‘grande polémica’ devido ao facto de o animal ter acabado por morrer à fome na própria galeria. A ‘fonte’ para esta notícia foi uma tal de Marta Leonor González, editora de um suplemento cultural na Nicarágua, La Prensa. Segundo o seu ‘testemunho’, o animal teria morrido no primeiro dia de exposição.
Podem imaginar o que sucedeu quando a história surgiu nos blogues: Guillermo Habacuc Vargas foi crucificado como um torturador e um demónio assassino de animais. Uma petição online foi criada para boicotar a presença de Habacuc numa bienal nas Honduras, em 2008: até à data, recolheu mais de 190 mil assinaturas.
Toda esta história é uma fraude em que os bloggers caíram que nem patinhos. Habacuc pode ser um artista manhoso, mas não é um torturador de cães – bastava perder mais alguns minutinhos no Google para descobrir que o cão não só foi alimentado durante os três dias em que permaneceu na galeria como não chegou sequer a morrer. Não há nada que incendeie mais a blogosfera do que uma causa - sobretudo se for fácil de apoiar. É de admirar que ainda não tenham criado uns banners ou uns botõezinhos que a malta usa nos blogues como se fossem brincos.
Parte da ‘culpa’ (alguns poderão chamar-lhe ‘autoria’) é do próprio Habacuc, que fez questão de criar um ‘acontecimento’ e manteve uma cautelosa ambiguidade até ao fim. Questionado pelo mesmo jornal Nacion, reservou-se «o direito de dizer se o cão estava morto ou não, se tinha sido alimentado ou não». A intenção da exposição, explicou ele, foi a de «constatar a hipocrisia alheia: um animal torna-se o foco de atenção quando o coloco num local onde as pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua, morto de fome». Explicou também que a exposição serviu para homenagear Natividad Canda, um nicaraguense morto por cães rottweiller.
O chinfrim foi tanto que a Galeria Códice (onde a exposição se realizou) se viu obrigada a desmontar a instalação (agora é metáfora) e emitir um cimunicado [adenda: página offline] onde afirmava que o cão «esteve nas instalações durante três dias (…). Esteve solto no pátio interior durante todo o tempo – exceptuando as três horas diárias em que durava a exibição – e foi alimentado regularmente com comida trazida pelo próprio Habacuc».
Parece que afinal o cão não morreu em nome da Arte. Na verdade, como explica ainda o mesmo comunicado da Galeria, «o cão fugiu ao fim do terceiro dia, escapulindo-se de manhã cedo entre as grades do portão principal da galeria, quando o vigilante que o alimentara fazia limpezas no exterior».

PS. Pedimos desculpas pela informação ter sido passada erroneamente. Após pesquisas chegamos a essa informação, de que graças a Deus o cachorrinho nada sofreu.

Um comentário:

cristiany disse...

Causa muito alívio saber o verdadeiro desfecho disso tudo, eu mesma assinei essa petição há alguns meses e fiquei revoltada qdo li que o cãozinho havia morrido de fome em nome da "arte".
Obrigada pela informação.